Batom e unha pintada também fazem parte da obra


As mulheres estão, definitivamente, encarando o mundo lado a lado com os homens. Prova disso é que já criaram quase tantos negócios quanto os homens no País e, segundo matéria em revista especializada "Pequenas Empresas Grandes Negócios", elas estão à frente de 49% das empresas (o que significa aproximadamente 7,3 milhões de empreendedoras) com até 3,5 anos. Cerca de 35% das empresas latino-americanas pertencem a mulheres. Em nosso País, elas estão em cargos até então assumidos por homens, como a presidenta da Petrobras, Graça Foster.

Aqui em Rio Grande, atuam no Polo Naval, como soldadoras (atividade tipicamente masculina), frentistas, motoristas de ônibus, entre outras funções. E agora,começam a se destacar em outra área: a construção civil. Para preencher este mercado, mulheres procuram cursos para aprender e para se especializar. Este é o caso de 40 mulheres que hoje fazem cursos voltados à construção civil, no Instituto da Construção.

Quatro delas, Nilma Ruti (49 anos), Tatiane Mattos, Viviane Campos (34 anos) e Helena Chuinger de Moura (78 anos), estão muito mais que empolgadas. Estão realizadas. Nilma é contabilista e faz curso de azulejista. Casada, com a casa em construção, decidiu tomar nas mãos as rédeas da obra. "Sempre trabalhei em áreas fechadas mas sempre gostei de trabalhos ao ar livre. Além do mais, este é um setor que precisa muito de mão de obra".

A economista Tatiane Mattos está no curso de pedreiro assentador/revestidor. Funcionária pública, tem o objetivo de agilizar obras em sua casa. "Há algum tempo estavam construindo uma garagem na minha casa. Mas esta obra parece que nunca termina. Com certeza vou agilizar isso agora", diz. Viviane Campos, frequentando o curso de azulejista, pretende seguir uma carreira. "Esta é uma área que está carente de mão de obra qualificada. E eu pretendo ser uma especialista no mercado".

Helena de Moura não deixou a idade convencê-la de que não poderia realizar o curso. Com 78 anos faz o curso de azulejista. Ela diz que o desperdício e a mão de obra não especializada não conseguiram terminar sua casa em 22 anos. "Ainda não está concluída e esta é uma relação nunca resolvida. Por isso, resolvi investir em mim e assim vou conseguir fiscalizar e dar andamento a minha casa". Helena quer fazer estágio e se qualificar.

Nilma, que tem a pretensão de se qualificar profissionalmente neste setor, ressalta que há muito serviço em Rio Grande. "No início, minha família foi contra, mas insisti porque acredito que esta é uma profissão que vai render muito emprego na cidade". Todas apostam na carreira. "Nós queremos oportunidade. Queremos que olhem para nós, que saibam que temos garra, força e vontade . Queremos trabalhar como o homem e também receber como o homem", diz.

O proprietário do Instituto da Construção, Wagner Gularte, acredita que há espaço para todos trabalharem. E a oportunidade também deve ser dada a todos. "Não tem como não incluir a mulher nesta atividade. É muito interessante. O diferencial das mulheres é que são mais atentas na prática". Wagner constata que durante as aulas, quando chega a hora de colocar literalmente a mão na massa, elas se destacam muito mais do que os homens. "Enquanto elas vão à luta, eles se retiram", observa.

Para dar maior prática, na verdade um estágio, a direção do instituto está elaborando um projeto para reformar casas de caridade, como de idosos e de crianças. "Será uma verdadeira parceria", enfatiza Gularte. Os cursos têm uma duração de oito meses e um ano e os alunos aprendem, em aulas teóricas e práticas, a construir desde a fundação até o telhado.

Assim, mesmo muitas vezes contra a vontade de familiares, o preconceito da sociedade, elas estão se qualificando. Não é por usar batom, ter as unhas pintadas e cuidar do cabelo que as mulheres ficarão fora do mercado. Ao contrário. "Somos mulheres, somos femininas, mas temos uma força de vontade que move o mundo", ressaltam.

Por Anete Poll
anete@jornalagora.com.br

Maiores informações no Instituto da Construção

Seja o primeiro a avaliar!


Adicionar aos favoritos

13 dez 2016


Por Instituto da Construção
Anuncie